terça-feira, 23 de agosto de 2016

Sobre Calvino.

Voltaremos nossas atividades com o escritor italiano Italo Calvino famoso escritor do século XX. Nasceu em Cuba (1923), local em que seus pais moravam na época. Mudaram-se ainda em sua infância para Itália, local em que viveu  e desenvolveu toda sua obra. Muito influenciado por seus pais , Calvino tentou fazer agronomia na universidade de Turim e ingressou num movimento de resistência italiana contra o nazismo, seguindo os ideias de sua mãe. Participou também de uma resistência ao fascismo, sendo membro por um período do partido comunista italiano, até entrar em choque com a invasão soviética na Hungria e os crimes de Stalin, da qual ele discordara, justificou-se ser adepto a um comunismo mais democrático do que aquele que estava sendo pautado. Abandonou agronomia para fazer a faculdade de Artes, tendo nesta se formado com uma dissertação sobre o escritor Joseph Conrad.

Alguns de seus livros mais importantes foram publicados na década de 50. Alguns deles são O visconde partido ao meio(1952) e O barão nas árvores(1957). Porém As cidades invisíveis, seus maior sucesso foi publicado em 1972. Sua escrita trabalha bem com o humor e a fantasia, sendo considerado por alguns um realista fantástico, muito influenciado pelas fabulas e seu teor cultural. 

Faleceu no hospital Santa Maria Della Scala em 1985 de uma hemorragia cerebral, deixa uma enorme legado para literatura universal.

A novela Visconde Partido ao Meio, disponibilizada na edição da Cia das letras(2000),  foi publicada num livro chamado Nossos antepassado (1952-1959), nesta obra encontramos um história fabulosa, critica e bem humorada, espero que se divirtam, nos encontraremos na quinta-feira(25/08)!


Aos interessados uma entrevista com Italo Calvino de 1997, legendas em espanhol.





Referências:
 
Italo Calvino Biografia de Antonio Gasparetto Junior. Disponível: <http://www.infoescola.com/biografias/italo-calvino/>. Data de acesso:23/08/2016.


quarta-feira, 17 de agosto de 2016

CALENDÁRIO 2016.2!

Estavam com saudade? Finalmente saiu novo calendário de novelas, esse semestre serão 9 livros, confira a lista abaixo!


Os encontros acontecerão na UECE-CH. Fiquem atentos ao e-mail e as redes socias para alterações.

Até o fim da semana disponibilizaremos uma cópia na xerox de letras da primeira novela "Visconde partido ao meio", caso não queira esperar, solicite o PDF via e-mail! Boa noite!!

e-mail: horadanovela2016@gmail.com

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Diário Literário (22/06/16)

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No último encontro do a “Hora da Novela”, 22.06, nos deparamos com a imensidão de um anônimo do subterrâneo em Notas do Subsolo, de Fiódor Dostoiévski. Essa novela, dividida em duas partes: O subsolo e A propósito da neve molhada, carregada de críticas morais, sociais e psicológicas sobre o homem do século XIX, se mostra, a princípio, um tanto contraditória e arrebatadora por ter um personagem principal que através dos seus desabafos faz com que nos deparemos com os nossos próprios defeitos que vêm à tona num emaranhado de questionamentos em que ele destila amargura e escárnio.  “Sim, um homem inteligente do século dezenove precisa está moralmente obrigado a ser uma criatura eminentemente sem caráter; e em uma pessoa de caráter, de ação, deve ser sobretudo limitada” (Dostoiévski, p.17).

A segunda parte é marcada pelas memórias do homem do subsolo. Memórias estas lembradas de forma negativa, tanto que ele diz que sente vergonha por tê-las escrito. “De fato, contar (...) sobre como eu fiz fracassar minha vida por meio do apodrecimento moral a um canto, da insuficiência do ambiente, desacostumando-me de tudo o que é vivo por meio de um enraivecido rancor no subsolo, ...” (Dostoiévski, p. 145). E ainda por meio de questionamentos sobre o que todos queremos, sobre as extravagâncias que desejamos, esse homem finda sua escrita sobre o subsolo, mas as memórias, essas continuaram.

Bibliografia:

DOSTOIÉVSKI, Fiódor. Memórias do Subsolo. Ed. 34, São Paulo – 2009.




Texto: Lorena Balbino (Letras/Francês - Licenciatura, 8º semestre)

Sobre Clarice.

Para concluir nossa breve aventura novelística, contaremos com a ilustre presença de Clarice Lispector, que aqui tem sua voz evocada em "A hora da estrela." Conheçamos um pouco de sua vida e obra.



Clarice é filha de pais russos que viviam na Ucrânia devido ao forte movimento antissemita na Russo. Foi lá que ela nasceu, porém não passou muito tempo, pois seus pais e suas duas irmãs corriam grande perigo com os constantes pogroms (um ataque violento maciço a pessoas, com a destruição simultânea do seu ambiente). Sua família chegou ao Brasil em 1922. Todos tiveram que mudar de nome como forma de adaptação. O nome original de Clarice é Chaya. Inicialmente, a família passou um breve período em Maceió, até se mudar para o Recife, onde Clarice cresceu e onde, aos oito anos, perdera a mãe. Aos quatorze anos de idade, transfere-se com o pai e as irmãs para o Rio de Janeiro, onde a família estabilizou-se, e onde o seu pai viria a falecer, em 1940. Com 19 anos publica seu primeiro conto "Triunfo" no semanário Pan. Em 1943 forma-se em Direito e casa-se com o amigo de turma Maury Gurgel Valente. Nesse mesmo ano estreou na literatura com o romance "Perto do Coração Selvagem", que retrata uma visão interiorizada do mundo da adolescência, e teve calorosa acolhida da crítica, recebendo o Prêmio Graça Aranha.
Clarice Lispector acompanha seu marido em viagens, na carreira de Diplomata do Ministério das Relações Exteriores. Em sua primeira viagem para Nápoles, Clarice trabalha como voluntária de assistente de enfermagem no hospital da Força Expedicionária Brasileira. Também morou na Inglaterra, Estados Unidos e Suíça, sempre acompanhando seu marido.
Em 1949, nasce na Suíça seu primeiro filho, Pedro, e em 1953 nasce nos Estados Unidos o segundo filho, Paulo. Em 1959, Clarice se separa do marido e retorna ao Rio de Janeiro, com os filhos. Logo começa a trabalhar no Jornal Correio da Manhã, assumindo a coluna Correio Feminino. Em 1960 trabalha no Diário da Noite com a coluna Só Para Mulheres, e lança "Laços de Família", livro de contos, que recebe o Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro. Em 1961 publica "A Maçã no Escuro" pelo qual recebe o prêmio de melhor livro do ano em 1962.
Clarice Lispector sofre várias queimaduras no corpo e na mão direita, quando dorme com um cigarro aceso, em 1966. Passa por várias cirurgias e vive isolada, sempre escrevendo. No ano seguinte publica crônicas no Jornal do Brasil e lança "O Mistério do Coelho Pensante". Passa a integrar o Conselho Consultivo do Instituto Nacional do Livro. Em 1969, já tinha perto de doze volumes publicados. Recebeu o prêmio do X Concurso Literário Nacional de Brasília.

Clarice Lispector, escreveu "Hora da Estrela" em 1977, onde conta a história de Macabéa, moça do interior em busca de sobreviver na cidade grande. A versão cinematográfica desse romance, dirigida por Suzana Amaral em 1985, conquistou os maiores prêmios do festival de cinema de Brasília e deu à atriz Marcélia Cartaxo, que fez o papel principal, o troféu Urso de Prata em Berlim em 1986.
Clarice Lispector morreu no Rio de Janeiro, no dia 9 de dezembro de 1977. Seu corpo foi sepultado no cemitério Israelita do Caju.

Ela  estudou direito, foi tradutora de  35 livros, escritora, jornalista, contista e ensaísta. Suas obras são do período modernista, conviveu com grandes nomes da cultura mundial e ainda hoje é uma das maiores influências para os escritores brasileiros. Sua escrita é marcada pela epifania, pelo fluxo de consciência, pelo monologo interior e pela inventividade.
Alguns de seus clássicos são: "Laços de Família" (1960) e de "A Legião Estrangeira" (1964). Em obras como "A Maçã no Escuro" (1961), "A Paixão Segundo G.H." (1961) e "Água-Viva" (1973).


Pelo clube leremos a novela A hora da estrela pela editora Rocco, espero que desfrutem bem desta que foi a última obra de Clarice. Não deixem de comparecer a sessão fílmica! 


Referências.



Clarice Lispector. Disponível: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Clarice_Lispector>. Data de acesso:06/07/2016.


Biografia de Clarice Lispector. Disponível:<http://www.e-biografias.net/clarice_lispector/> Data de acesso:06/07/2016.



Clarice Lispector - Estilo. Disponível:<http://esteticaliteraria.blogspot.com.br/2009/01/clarice-lispector-estilo.html> Data de acesso:06/07/2016.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Sobre Fiódor Dostoiévski.

Fiódor Dostoiévski foi o fundador do realismo russo e escritor da primeira novela de características existencialistas. Com certeza sua leitura é obrigatória para qualquer estudante de artes ou literatura, conheçamos um pouco sobre sua vida e obra.


Fiódor nasceu (1821) em  Moscou, Rússia. Foi engenheiro militar, escritor e filosofo. Nasceu em uma família grande, foi apenas o segundo de sete filhos. Ele perdeu seus pais ainda jovem. Formou-se na Academia Militar de Engenharia de São Petersburgo, tendo muito contato com literatura, principalmente francesa. Escreveu duas peças de teatro nessa mesma época: Mary Stuart e Boris Gudonov. Em 1844, realizou sua primeira tradução, justamente com a obra de Balzac: Eugènie Grandet. Não demorou muito para que ele abandonasse a carreira militar e se dedica-se a literatura.  Logo em seu primeiro romance, Gente Pobre (1846), ele se tornou uma celebridade, conquistando o crítico Bielinski, que o considerava "a mais nova revelação do cenário literário do país". Dostoiévski fez parte do Círculo de Petrashvski, um grupo de discussão literária enviesado ao socialismo utópico. Foi nesse período que ele foi preso pelas autoridades da época, sob a acusação de estar conspirando contra o imperador e contra a autocracia. Foi na prisão que ele sofreu seu primeiro ataque de epilepsia, doença que durou toda sua vida e sendo incorporada a alguns de seus personagens. Saiu da prisão em 1854 e durante sua condenação em serviços militares na Sibéria, ele conheceu Maria Dmitriévna Issáieva, a qual se tornaria sua esposa e inspiração para Katerina Marmeladova de Crime e Castigo. Após retornar a Rússia, ele muda seu jeito de pensar, rejeitando as atitudes de intelectuais que punham seus ideais políticos para a sociedade. Foi nessa fase de sua vida que junto de seu irmão , Mikhail, fundou a revista Vremia, aonde publicou a obra em folhetim Humilhados e Ofendidos. Após a morte de sua esposa e de seu irmão, Dostoiévski passou por dificuldades financeiras, pois ficara com as dívidas feitas por seu irmão e com os cuidados da esposa dele. Não conseguindo lidar com todas as despesas, ele  partiu para o estrangeiro, aonde gastou muito dinheiro em cassinos.  Quando conheceu sua outra esposa, Anna Grigórievna Snítkina, já estava a escrever uma de suas obras-primas: Crime e Castigo. Eles tiveram duas filhas, sendo que a primeira morreu cedo em Genebra.  Foi nesse período em que ele escreveu algumas de suas mais importantes obras: Os idiotas, Os demônios e Os irmãos Karamazov.
Fiódor é bastante conhecido por sua escrita realista, de viés determinista, porém, sua contribuição foi além disso. Ele influenciou vários escritores(Kafka, Proust, Faulkner, Gabriel García Marquéz), filósofos, psicólogos(Freud), físicos(Albert Einstein) entre outros. 

Na novela Notas do Subterrâneo("Memórias do Subsolo", "A Voz do Subsolo", "Cadernos do Subsolo"), conhecemos o viés existencialista de sua obra, sendo este livro um marco de tal estilo. 

A edição disponibilizada pelo clube é a da Bertrand Brasil, espero que gostem desse excelente novela russa! Até quinta-feira(23)!

Referências:
 
Fiódor Dostoiévski. Disponível: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Fiódor_Dostoiévski>. Data de acesso:20/06/2016.



Texto: Abdiel Anselmo (Letras/Português - Bacharelado, 7º semestre)

terça-feira, 7 de junho de 2016

Sobre Mia Couto.

Mia Couto, considerado um dos mais importantes escritores Moçambicanos,  será nossa primeira leitura  de um escritor contemporâneo e africano pelo clube. Apresentemos um pouco sobre sua vida e obra.


Foto de Daniel Andrade.
Mia Couto é o pseudônimo de António Emílio Leite Couto, esse nome foi adotado pelo autor por causa do seu gosto por gatos e porque sua irmã tinha dificuldades em pronunciar seu nome. Nasceu (1985) em Beira,Moçambique. Foi lá que seu pai, Fernando Leite Couto, publicou, sem o conhecimento e autorização do filho, seus primeiros poemas. Aos 17 anos, Mia se mudou para capital de Moçambique: Lourenço Marques(atualmente chamada de Maputo). Lá começou seu curso de medicina, entretanto não o concluiu, optando por exercer a profissão de jornalista.  Após a destruição do local o qual trabalhava,  ele foi nomeado diretor da Agência de Informação de Moçambique (AIM). Após esse breve período, começou a trabalhar com diretor de uma revista chamada Tempo, continuando sua carreira de jornalista no jornal Notícias. Nessa fase de sua vida, Mia publicou seu primeiro livro de poesia intitulado Raiz de Orvalho, que ,em algumas interpretações, revelava criticas contra a propaganda marxista militante do local. Dois anos depois à publicação, ele se demitiu da posição de diretor e abandonou a carreira jornalística para se dedicar ao curso de biologia na universidade. Atualmente, ele é um especialista na área de ecologia, dando aulas na Universidade de Eduardo Mondlane na qual se formou. Além de escritor, ele também trabalha com reservas naturais pela empresa Impacto, Lda. Ele foi um dos escritores do hino de Moçambique. 

Foto de Sandra Quiroz/afribuku.

Sua escrita é repleta de neologismos, pois, no momento de composição de seus textos, ele internaliza aspectos da cultura moçambicana se utilizando disso para construir palavras próprias para o ambiente e o para multiverso que ele constrói. Também é conhecido como "escritor da terra" , pois busca relacionar a terra como natureza e como cultura em sua escrita. Seus textos muitas vezes apresentam características fantásticas ou surreais, propicias ao projeto imaginativo e onírico que ele traz em sua obra. Tem da escrita brasileira moderna grande influência, principalmente, de Guimarães Rosa. Terra Sonâmbula é uma das suas principais obras sendo considera, por júri especial da Feira do Livro de Zimbábue, um dos 12 melhores livros africanos do século XX.

Foi premiado diversas vezes, incluindo-se nessa lista o Prêmio Camões em 2013. É o único escritor  africano que é membro da Academia Brasileira de Letras, como sócio correspondente, eleito em 1998, sendo o sexto ocupante da cadeira nº 5, que tem por patrono Dom Francisco de Sousa.


Mar me quer é um pequeno romance publicado na Expo 98, em Lisboa, que poderia muito bem ser classificado como uma novela pelo tamanho e pela escrita compacta. Foi disponibilizado pelo clube numa edição digital da editora Caminho. Espero que a leitura seja prazerosa, nos encontramos quinta-feira às 11h ou às 17h.


Referências:
 
Mia Couto. Disponível: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Mia_Couto>. Data de acesso:07/06/2016.


Mia Couto Official WebSite. Disponível: <http://www.miacouto.org/>. Data de acesso:07/06/2016


 
Texto: Abdiel Anselmo (Letras/Português - Bacharelado, 7º semestre)

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Diário Literário (24/05/2016)



Ao ler “um coração simples”, pude ver o quão importante foi à participação de Flaubert no realismo, já que a literatura francesa e mundial passava por uma enorme transformação ao longo do século XIX. Na obra, é perceptível ver o cuidado na construção do texto, a utilização de imagens plásticas e figuras de linguagem, ao mesmo tempo em que o narrador torna-se invisível ao relatar a história
O autor nos mostra a “imagem” de Félicité (Felicidade), mulher pobre do interior da França, modelo de ética. O próprio título da obra diz muito como é a personalidade dessa personagem. A moça é uma criada que trabalha há décadas para a Sra. Aubain, uma viúva que possuía alguns bens. Mesmo com pouco conhecimento do mundo, cuidava de tudo e de todos.
Através dos passos e desventuras da criada, buscamos evidenciar as condições que circundam o aparecimento de um olhar científico-objetivo para a subjetividade humana.
No encontro do grupo de leitura, foi citado um dos mais belos momentos da obra, quando Felicité (Felicidade) chegava aos altos de Ecquemauville, vendo as luzes de Honfleur e o mar. Logo após, veio uma fraqueza, quando ela se lembrou de tudo que ocorrera de ruim em sua vida.
Enquanto leitores, somos remetidos diretamente à cena, sem intermediações. Acompanhamos a personagem em sua jornada no justo compasso dos acontecimentos que a envolveram.
A novela foi baseada em uma das serviçais de Flaubert da vida real, Julie, e era para ser uma homenagem a George Sand, que morreu antes que a obra ficasse pronta, pois a mesma foi concebida durante uma discussão entre o autor e o falecido sobre a importância do realismo.
Confesso que não era fã das obras realistas. Mas a partir desta novela, passei a ver com outro olhar tais textos. Flaubert disse que a novela exemplificava sua declaração – “beleza é o objeto de todos os meus esforços”. Ele conseguiu passar toda sua beleza nesta obra.


Texto: Ítalo James (Letras/Português - Licenciatura, 1º semestre)